sábado, 11 de outubro de 2008

Flor

Chegas. Preparo-me para te dizer aquilo que sinto. Preparo-me para ser cruel, para te mostrar o quanto estou magoado contigo. Para por um ponto final em todo a nossa história. Sentas-te. Preparo-me para explodir em todas as direcções. Preparo-me para ser impiedoso contigo depois de tudo o que aconteceu. Olho-te. Estás triste. Vejo a tristeza no teu olhar uma tristeza avassaladora, imesurável que se propaga contra mim. Já não consigo ser cruel. Sinto-te destruida, fragil e desprotegida. Como uma flor espesinhada por um pé incauto. Sinto-te esmagada pela dor, sem forma de voltar a ser o que és. Não consigo ver-te assim, triste, não consigo contribuir ainda mais para a tua dor. Peço-te que me contes o que se passa. Dizes que não queres falar sobre isso. Eu insisto e insisto vezes sem conta. Dizes-me que não me queres magoar mais e que o que te atormenta me magoaria. Mesmo assim, insisto, não por curiosidade, ou por querer me magoar, mas porque quero ser desesperadamente um jardineiro que cuide desta flor maltratada.

Por fim contas-me, tinhas razão que me magoou. Mas eu pedi que me contasses. Escondo a minha dor, escondo o meu amor por ti mais uma vez e dou-te o melhor concelho que te poderia dar, como amigo e como alguem que não consegue ver-te sofrer. "Vai em frente atrás daquilo que te pode fazer feliz e arrisca, pois se caires, levantas-te outra vez, o que não te mata, faz-te mais forte" digo-te. E abraço-te com muita força, porque sei que o que mais precisavas agora era um abraço para te dar força. Ficas nos meus braços um tempo imesurável, pareceu uma doce eternidade. Foi o nosso ultimo abraço a sério, penso.

Penso desesperadamente que quero que fiques comigo, penso em implorar-te que fiques comigo. Quero chorar e pedir-te que não me deixes, mas sinto que só te ia por pior. Por fim vejo-te sorrir outra vez, vejo-te brilhar mais uma vez. A tristeza ficou de lado por alguns momentos que tiveste comigo.

Tento agora em vão ser mau e dizer-te o que penso. Mas as palavras saem sem sentimento e sem força. São apenas palavras de um jardineiro ferido por uma flor incauta.

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