Agarro a formiga, deixo-a cair na palma da mão. Corre desorientada em pânico. Seguro-a entre os dedos, tenta libertar-se as antenas movendo-se em todas as direcções. Com um simples movimento dos dedos acabava ali a vida da inocente formiga que apenas procurava comida para o Inverno. Terminava a vida daquele ser que apenas segue o seu instinto, as direcções dadas de dentro do formigueiro, da rainha. E embora eu pudesse acabar com esta formiga ou todas as outras á minha volta, jamais atingiria a rainha dirigente de todos os seus subditos. Este insecto na minha mão morreria, esmagado nos meus dedos, mas nada aconteceria directamente ao seu superior, a quem deu as ordens e para a grande formiga chefe de todas as outras, era apenas uma entre milhares que a rodeiam que perecera. Mas para este ser negro, todos os seus sonhos, esperanças, desejos, felicidades e tristezas desapareciam em menos da metade de um segundo perante a indiferença de todos.
A formiga continua a tentar libertar-se, e percebo-a plenamente. Percebo como ela não tem culpa do que faz e como a sua aniquilação apenas afectará o seu ser, nada mudará pela sua morte, pois mais formigas continuarão a seguir o mesmo trajecto que ela pois é essa a vontade do formigueiro e cegamente todas as formigas seguem o mesmo caminho embora tentem a todo o custo na sua pluralidade amorfa serem individuos conscientes e singulares, que de repente se veem a lutar pela própria vida nas mãos de um gigante humano.
Sempre foi e sempre será assim, os mais fracos pagam pelos erros e caprichos dos mais fortes.

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