Tenho cerca de 200 dvds gravados ao longo de oito anos. Lá dentro um autentico poço de surpresas. Desde fotos, videos, mails, joguitos e progamitos interessantes. Muita coisa mesmo. Tinha tudo organizado numa lista que consultava sempre que queria algo que sabia estar num dos discos mas não fazia ideia qual. Quando um dia perdi a lista, tudo o que estava nos discos ficou perdido à espera de uma nova catalogação. Lentamente comecei outra vez a catalogar um a um os dvds e a fazer uma cópia de segurança do que lá estava. Afinal o tempo médio de vida de um dvd é entre dez e vinte anos e não faço ideia onde estarei daqui a esse tempo, mas concerteza não quero perder a informação que juntei.
Lentamente foi surgindo uma autentica biblioteca de momentos da minha vida. Como se folheia um album de fotografias mas neste caso uma autentica janela para a cultura daquela altura em que o disco foi gravado. Inumeros videos engraçados, jogos em flash, imagens engraçadas que só tiveram piada naquele determinado momento. Junto com tudo isto, e-mails trocados com tanta gente, conversas de internet, fotos tiradas na altura. Muitas delas perderam valor, ficamo-nos por um sorriso a recordar aquelas caras, aquelas conversas, as tristezas e alegrias partilhadas com tanta gente que se agora os visse na rua se calha não os reconhecia.
Hoje. Esperava abrir mais um disco datado de 2004. Carinhosamente nomeado "Bué de Cenas XLI", que traduzido para português adulto significa, "Muita Coisa 41". Não vi o nome e simplesmente tirei o disco da capa. Pus no leitor sem ver o que estava escrito. A mesma caneta de acetato escreveu o titulo de todos estes dvds e no que estava agora a correr no meu computador podia-se ler "Bué de Cenas CLXXI" ou seja o disco 171 da contagem. Vejo as pastas e dou um salto automático de 4 anos. Olho as datas das pastas para ter a certeza que estava a ler bem. 2008, Junho de 2008. Abro a pasta de fotos e fui esbofeteado pela saudade.
Fotos de uma viagem à Ilha, dos anos da Antigoni, do Rock in Rio, da noite de Santo António e de um passeio pela feira da ladra. De repente lembrei-me daquele tempo. Daqueles meses de extremas vivencias. De viagens, de momentos, de concertos, de parvoices, de estudo intenso e da despedida final. Lembro-me de como acreditava. Simplesmente acreditava num futuro. Lembro-me das dificuldades. Dos objectivos a cumprir, dos exames a fazer numa semana, dos trabalhos, das correrias ao outro lado da cidade. Vejo estas fotos e recordo tudo, tudo o que fiz, tudo o que fui nesses tempos. Tudo pelo qual lutei, tendo a meu lado a compania de tão belas pessoas que contribuiram tanto para o meu ser...
Mas também estas fotos relembram alguem. Alguem por quem lutei insessantemente em vão. Alguem a quem dirigi demasiada atenção. Alguem que todos me preveniram, todos me diziam, contavam, e falavam. Mas eu não ouvia, não queria ouvir a voz racional e continuei para ai virado. Numa luta insessante desejando a vitória. A vitória nunca chegou. Mas esta era mesmo uma batalha que vencer seria pior que perder. E depois de tanto tempo perdido numa batalha constante, de avanços e recuos, decidi finalmente ouvir quem sempre me disse que era uma luta sem fim. Arrumei as armas, e virei as costas. No campo de batalha a luta continua contra a propria perdida sombra. Mas já não é a minha luta e já não sou um guerreiro dessas guerras que não me dizem respeito. A verdadeira amizade é forjada no campo de batalha, e depois de anos de luta tudo o que resta são depojos de guerra aqui e ali colorindo o verde dos campos com o cinzento humano.
...Abrir acidentalmente o dvd "Bué de Cenas CLXXI" fez-me ver quem sou. Não olhando para mim. Mas para tudo e todos os que me rodeavam nesses tempos, de verdadeira e inconsciente felicidade.
Sem comentários:
Enviar um comentário