Era uma vez um homem com uma dor de cabeça. Uma dor latejante, incessante, implacável. Dia e noite doi-lhe a cabeça. Não dormia, não comia, não pensava, nada a dor de cabeça consumia-o. Seria de pensar que este homem deveria ir ao médico. Mas ele não podia. Estava encarcerado numa prisão e só lhe davam uns analgésicos para a dor de cabeça. E a dor continuava... e continuava e continuava....
Enlouquecido escrevia nas paredes, sobre a sua dor de cabeça, sobre o seu aprisionamento, sobre a sua loucura interna provocada pela... dor de cabeça... "Doi-me a cabeça, doi-me a cabeça, doi-me a cabeça"
Suicidou-se. Momentos antes de cortar os pulsos, escreveu nas paredes "Moncho morreu aqui".
Mais tarde a autópsia revelou que tinha um tumor do tamanho de um kiwi no cérebro.
E assim o prisioneiro seguinte que habitou a cela do Moncho leu a sua loucura, sem nunca o ter conhecido.
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Assim reparei como eu não sou diferente deste pobre homem encarcerado. Ele preso dentro de quatro paredes, eu preso nesta realidade repressiva. Ele com um tumor que o consumia, eu com tantas e tantas coisas que me fazem doer a cabeça...
Ele com paredes de uma cela.
E eu com este blog para escrever...
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