domingo, 5 de dezembro de 2010

Il Realista

E tão rápido como começou ele termina. Acaba num estouro tremendo com menos de meio segundo de duração. Como o explodir de uma bomba atómica concentrado num meio segundo. O sonho acabou mais uma vez. Os mares secam num instante e o barco que antes navegava fica encalhado num imenso deserto infinito.

A realidade árida toma conta de nós completamente. E percebemos como fomos estúpidos. Não existe nada. Era sonhar demasiado alto. Era como juntar água e azeite talvez... simplesmente tudo terminou antes de sequer haver uma infima possibilidade de começar.

Partes á pressa feliz, na tua totalmente, e eu perdido entre a multidão queria ser eu a ir contigo mas não, nada... tudo aquilo que vi era apenas a minha mente a pregar-me partidas mais uma vez. Perdi-me completamente. Pensei que haveria algo bonito entre nós. Mas não... és assim com toda a gente, é a tua maneira de ser natural e comigo foste uma borboleta a esvoaçar alegremente á frente de uma rocha carrancuda milenar. A conseguires fazer esta rocha fechada abrir-se um pouco, a sorrir um pouco por observar a tua graciosidade natural.

Mas tudo acabou. Não vale a pena pensar sequer mais um segundo nisso. Acabou. Hoje deito-me vazio mais uma vez, curiosamente numa noite chuvosa, como todas as noites que me lembro de me ter deitado vazio.

O mar de sonhos secou.

Continuo a deambular no deserto.



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