segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A Estação

Correu pelas ruas geladas. Mal aguentando o peso da mala. Nevava. Doces flocos brancos caiam pelas ruas desertas naquela noite.

Ouviu o apito á distância. Apressou-se. Entrou pela estação adentro. Nem uma viva alma. Os seus passos ecoaram pelo edificio vazio. Estava na plataforma.

A locomotiva lançava grandes bolas de fumo negro que se misturavam com a neve fria. No entanto ele já quase as não via, e o apito soava distante. Via apenas a ultima carruagem desaparecer na escuridão.

Ofegante, bafejava incauto nuvens de cor cinzenta que saiam da sua boca. Perdera o comboio. Na plataforma apenas estava o chefe da estação, que voltava agora para dentro, para a sua solidão entre partidas e chegadas.

- Quando parte o próximo comboio?
- Trinta e sete anos.

O chefe da estação  respondera sem um pinga de interesse, apenas preocupado com o frio que sentia ao relento. Desapareceu no interior do edificio.

O silêncio era apenas cortado pelo som distante da locomotiva, cada vez mais longe e e perdida no seu próprio e incerto destino. Poisou a mala e respirou fundo. Olhou em volta, sentou-se no banco da estação.

Esperando pelo próximo comboio.

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