Primeiro uma, depois duas, três e quatro... as lágrimas começaram a rolar. Estava sozinho naquela tarde campestre de Inverno. O sol tentava aquecer o tempo, lutando contra o vento frio de norte. As primeiras flores emanavam um perfume que já tentava ser primaveril. O vento agitava as ervas que já cresciam até ao seu esplendor dai a alguns meses... Este mesmo vento abafava os seus soluços, e fazia as lágrimas voarem-lhe do rosto. Olhou para o céu azul onde as nuvens corriam ao sabor do sopro de Zéfiro.
Cravou a lâmina no pulso com todas as suas forças até roçar no osso. Gritou de dor. O sangue surgiu, como que se estivesse preso dentro de uma bolsa, e começou a jorrar pela mão, pelos dedos, pingando para o verde dos trevos e flores amarelas. Puxou a lamina com todas as suas forças em direcção ao cotovelo, rasgando a carne, a pele e os tendões. O sangue fluia como um rio fora das margens, inundando impotentemente o verde campestre..
Caiu de joelhos, mergulhado em lágrimas. Deixou-se cair de boca no chão. Desfaleceu. Esvaindo-se lentamente. Até que desapareceu...
Foi assim que ele morreu. Sem dramas, sem tristeza alheia, sem músicas melodramáticas. Apenas o som do vento nas ervas jovens, o piar de um rola ali perto, e o som do mar distante...
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