Sentia-me a cair. Descontroladamente. Rebolava ao sabor da gravidade através do ar. Tentei perceber para onde caia, apenas escuridão. Não sei porque caia, a única coisa que sabia do sitio de onde vinha, era que era iluminado por uma luz branca que me servia agora como único ponto de referência, apenas sabia que não vinha dali porque essa luz estava cada vez mais longe. E a escuridão cada vez mais próxima. Sentia-me cada vez mais rápido cada vez mais errático nos meus movimentos através do ar. Caía infinitamente, cada vez mais nas trevas.
Senti o impacto. Bruto e impiedoso, enquanto sentia a dor de todos os meus ossos a partirem-se. Fiquei ali extendido naquela superficie fria, que lentamente aquecia com o calor do meu corpo. Tinha a noção de que não me podia mexer, a dor era insuportável, pensei que deveria estar a sangrar de um milhar de feridas. Mas nada sentia, para alem da dor tremenda que me precorria todo o corpo. A minha mão estava de fronte do meu rosto, e instintivamente pressionei os dedos doridos contra o meu rosto...
"I push my fingers into my eyes
It's the only thing that slowly stops the ache
But it's made of all the things I have to take
Jesus, it never ends, it works it's way inside
If the pain goes on, I'm not gonna make it!"
Ouvi-a algo nas trevas, pareciam gritos distantes, gritos de dor, gritos horríveis de desespero misturados com choro. Não era uma pessoa nem duas mas pareciam dezenas e dezenas de pessoas desesperadas, na escuridão. Percebi que estava debaixo de um leve halo de luz que me iluminava na escuridão. Senti um cheiro nauseabundo, tentei mexer-me, vi uns pés brancos, sujos, nojentos com unhas amareladas e compridas. Olhei na minha dor para cima e vi um pálido homem, sem um único pelo no corpo, não tinha sexo. No seu olhar notei raiva, no seu sorriso arrogancia, nas suas palavras, prazer:
- Bem-vindo. Já te esperávamos há muito. - Disse sorrindo - Veste isto.
Atirou-me um trapo com desprezo para cima de mim, que me cobriria o corpo se o vestisse. Tentei falar-lhe dizer-lhe a dor que sentia mas as palavras não saiam. Agarrou-me agressivamente no braço, e levantou-me de um puxão! Senti dor por todo o meu corpo e soltei um longo grito que gentilmente se dissipou por entre os milhares de gritos que ouvia por toda a escuridão.
- Mexe-te! Não tenho o dia todo! - Gritou-me. Reparava agora como era feio, magro como nunca antes vira alguem tão chupado até aos ossos. - Veste-te e vem!
Reparei então como estava nú e como estava cheio de frio, e como me sentia totalmente vazio. Um desespero enorme enchia-me a alma, queria chorar, queria gritar, queria enfurecer-me, mas nada conseguia...
"Get the fuck out of here
I just wanna get the fuck away from me
I rage, I glaze, I hurt, I hate
I hate it all, why why why me?
I cannot sleep with a head like this
I wanna cry, I wanna scream
I rage, I glaze, I hurt, I hate
I wanna hate it all away!"
A dor fisica era insuportável, mas eu não tinha nem um único golpe, nem um único osso partido, mas a dor estava lá. O careca gritava-me enfurecido, não o conseguia entender, ele apontava para o trapo. Acho que ele queria que eu me vestisse. Foi o que fiz, a custo, a dor era ainda insessante. Assim que vesti aquele tecido castanho de sujidade, ele pegou-me no braço e obrigou-me a andar. Os olhos dele vomitavam ódio, uma raiva alucinante que acabava sendo contagiante. Entrámos num corredor que vislumbrei na penumbra. Via os vultos de centenas de portas. Lá dentro ouvia os choros e gritos que aleatoriamente ecoavam, baixinho na escuridão.
Vislumbrei uma porta aberta e vi um careca, em tudo igual ao que me arrastava, de costas para a porta e a olhar em frente para uma parede, a gemer de dor, agrilhoado ao chão, balanceava a cabeça num harmonioso ritmo, imparável, para a frente e para trás como se uma mão gigante o embalasse.
- Quem deixou a porta aberta? - Gritou o careca que me arrastava. Rapidamente outro careca surgiu da escuridão e fechou a porta.
Vi uma imensidão de corredores com portas, de cada uma delas pareciam vir os sons de dor e sofrimento a que me começava a habituar. Eram grandes portas de ferro fechadas com um cadeado, as paredes pareciam ter sido brancas há muitos milhares de anos atrás e a maior parte delas estava já comida pelo tempo e as suas entranhas expostas.
- Chegámos!
E jogou-me através de umas das portas. Agrilho-ou-me ao chão, prendeu as minhas mãos e ali fiquei em pé, de frente para a parede, enquanto ouvia a porta a ser trancada atrás de mim. Na escuridão fiquei, sozinho.
Tentava entender o que se passava mas a minha memória era como uma folha branca á espera de ser escrita. Apenas sabia que estava agora preso numa espécie de cela, agrilhoado e no escuro. Ouvia-a ao longe os sons do sofrimento que me acompanhavam desde que aqui chegara. Era contagiante. Não sei quanto tempo passara, mas sentia-me cada vez mais sozinho, cada vez mais amedrontado, cada vez mais diminuto, mais, nada. A vontade de chorar crescia cada vez mais, a vontade de ceder á pressão da tristeza solitária continuava a crescer. Esta escuridão oprimia-me cada vez mais. Tentava lutar...
"I won't let this build up inside of me"
Lentamente tomou conta de mim como um veneno que se infiltrou na minha alma.
"Stapled shut, inside an outside world and I'm
Sealed in tight, bizarre but right at home
Claustrophobic, closing in and I'm
Catastrophic..."
Tentei partir as correntes que me prendiam, inutilmente. Tentei outra vez, não cediam... Não sabia quanto tempo passara, mas só queria sair dali. forcei a corrente vezes sem conta, e continuei a forçar, tinha que sair dali... Tinha que me libertar! A minha vontade de liberdade era mais forte que a dor que sentia. Senti um liquido a escorrer-me pelo corpo abaixo. Sangue. Mas de onde vinha ele?! Tinha os pulsos desfeitos.. os tendões, ligamentos, carne, veias até o osso estava exposto. Gritei de dor, de desespero...
"I have screamed until my veins collapsed
I've waited as my time's elapsed "
Cai de joelhos no chão, chorava, contorcia-me a minha alma de terror... Perdi os sentidos.
Acordei, não fazia ideia onde estava. Lentamente recordei as primeiras palavras escritas na folha branca que era a minha memória. Tentei mexer-me, a dor continuava lá no mesmo sitio de sempre...
"Where do I take this pain of mine?
I run but it stays right by my side"
Sentia-me fraco. A minha boca estava mergulhada num liquido que sabia a ferrugem, tinha frio. Estava encharcado, jazia numa poça do meu próprio sangue.
Gritei, não queria morrer:
-Ajudem-me! Estou a morrer! Alguem me ajude! - Uma portinhola abriu-se atrás de mim e dois olhos surgiram.
-Já? Mas ainda agora começou o nosso divertimento. Não te preocupes jovem inocente, não vais morrer.
- Não?! - Levantei-me instintivamente - Então que me vai acontecer?!
- Se estivesses ás portas da morte achas que te levantavas com tanta rapidez? A morte não é o teu destino. Pelo menos por enquanto.
- Então que me vai acontecer?! Diz-me!
- O teu destino é uma metamorfose, uma transformação...
- Transformação? Em quê? Explica-me...
- Diz-me, jovem, sentes-te só?
E fechou a portinhola, deixando-me com aquela pergunta no ar. E foi então que percebi o quão só me sentia. Uma solidão desesperante, consumidora, avassaladora. Sentia-a lá dentro. Bem dentro de mim. A pagina anterior da minha memória, rabiscada até á exaustão mostrou-se então de vislumbre e percebi que era essa a razão de estar naquele local. Comecei a balancear a minha cabeça, a minha visão estática na parede enqaunto lágrimas rolavam o meu rosto sem eu sequer fechar os olhos. No silêncio sussurravam um milhar de vozes...
"We to feel alone"
Dias? Meses? Anos? Não sei quanto tempo passou, mas a solidão desaparecera...
"Bones in the blood
and dust in my lungs
absorbing archaic
like a sponge
the ultimate way
is the way you control
but can you stay?
If you detach your soul?
Bury the present
and squeeze out the past
the ones you endear to never last
chemical burns and the animalistic
Im just another hardline
pseudo statistic...
Can you feel this?
I'm dying to feel this
Can you feel this?
Blood on the paper
and skin on my teeth
trying to commit
to what's beneath
to find the time
is to lose the momentum
you learn the lessons
and immediately forget them
automatic and out of my reach
consult all the waste to find the key
minimal life and the polysillabic
Im just another blank page
push the button, pull the rage"
A solidão transformara-se em raiva. Já não era um homem, mas sim uma criatura sedenta de ódio. Sedenta de sair daquela cela e explodir! Explodir de ódio! Jamais esqueceria as razões que me levaram áquele lugar.
"I am a world before I am a man
I was a creature before I could stand
I will remember before I forget"
Olhei as correntes. Coladas á minha carne, seca, do tempo ali imobilizado. EStavam enferrujadas, mas mantinham-se resistentes como se novas fossem. Destrui-as com a força do meu ódio.
"Fuck these chains
No god damn slave
I will be different"
Corri para a porta e obliterei-a com um punho fechado. Gritei de raiva a plenos pulmões! Esmurrei as paredes pelo tempo enojadas, destrui todas as portas que se me deparavam. Libertava os que como eu olhavam a parede. De todos os lados começaram a surgir carecas como aquele que primeiramente vira quando a este local cheguei. Agarravam-me, dezenas, centenas, talvez milharesem cima de mim a rir malévolamente enquanto me mordiam, comiam a minha carne e tentavam desmembrar. Banqueteavam-se com todo o ódio que sentia.
"My end
It justifies my means
All I ever do is delay
My every attempt to evade
The end of the road and my end
It justifies my means
All I ever do is delay
My every attempt to evade
THE END OF THE ROAD!
Fray the strings
Throw the shapes
Locked in clutch
Pushed in place
Hold your breath"
Explodi num turbilhão de raiva de que vagamente me recordo. Não sei quantos matei, quantos aniquilei, só me lembro do terror nas caras daqueles seres que como eu sentiam ódio. Quando novamente ganhei consciencia, jazia de joelhos num lago de sangue polvilhado de ilhas de carne desfeita irreconheciva. O ar estava escuro, coberto com uma enorme cortina de pó. Começaram a aproximar-se de mim mais daqueles seres. Mas no seu rosto não se lia o ódio, mas sim tristeza, dor, solidão. Alguns choravam. Sangravam das marcas das correntes que os agrilhoavam até há pouco tempo. As nossas celas jaziam agora transformadas em pó. Uma brisa tocou os nossos corpos mutilados, varreu toda aquela nuvem cinzenta onde estávamos mergulhados. Raios de sol começaram a espreitar e a banhar aquela imensidão de seres magros, carecas e ensaguentados...
"Hear me now
Bearing down upon a path we choose
Chosen from the start living different rules
Existence something to cherish true
Will not succumb to doubts that I hold onto
Release the fear of my pain
In so much pain
Give me the will to fight
Every obstacle that I have inside
Release MY fear and
Hear me now
Words I vow
No fucking regrets
Fuck these chains
No god damn slave
I will be different
I'll stand here defiantly
My middle finger raised
Fuck your prejudice
All my life
Always I've felt alone
Conditioned to believe that I'm always wrong
Only truth will help to set me free
My every weakness I must turn into strength
Every rage, every tear
Hate in so much hate
Never that pain will bind me
Ask of myself if I've the will to unwind
Every rage and tear
Hear me now
Words I vow
No fucking regrets
Fuck these chains
No god damn slave
I will be different
I'll stand here defiantly
My middle finger raised
Fuck your prejudice
Carved upon my stone
I will go on
Patience, belief
Love will ascend
Just listen to it
Voice so true inside calling
To stand you up and march you on
Keep from falling
Let go your sorrow
Sun will shine, this I promise
Rising tommorow
Rising
Hear me now
I'm taking back the control
Of my
Life from societies hold
I vow
No more will I be a slave
Rise to
Challenge the whole human race
My spirit you cannot break
And we wont lose"
Senti o impacto. Bruto e impiedoso, enquanto sentia a dor de todos os meus ossos a partirem-se. Fiquei ali extendido naquela superficie fria, que lentamente aquecia com o calor do meu corpo. Tinha a noção de que não me podia mexer, a dor era insuportável, pensei que deveria estar a sangrar de um milhar de feridas. Mas nada sentia, para alem da dor tremenda que me precorria todo o corpo. A minha mão estava de fronte do meu rosto, e instintivamente pressionei os dedos doridos contra o meu rosto...
"I push my fingers into my eyes
It's the only thing that slowly stops the ache
But it's made of all the things I have to take
Jesus, it never ends, it works it's way inside
If the pain goes on, I'm not gonna make it!"
Ouvi-a algo nas trevas, pareciam gritos distantes, gritos de dor, gritos horríveis de desespero misturados com choro. Não era uma pessoa nem duas mas pareciam dezenas e dezenas de pessoas desesperadas, na escuridão. Percebi que estava debaixo de um leve halo de luz que me iluminava na escuridão. Senti um cheiro nauseabundo, tentei mexer-me, vi uns pés brancos, sujos, nojentos com unhas amareladas e compridas. Olhei na minha dor para cima e vi um pálido homem, sem um único pelo no corpo, não tinha sexo. No seu olhar notei raiva, no seu sorriso arrogancia, nas suas palavras, prazer:
- Bem-vindo. Já te esperávamos há muito. - Disse sorrindo - Veste isto.
Atirou-me um trapo com desprezo para cima de mim, que me cobriria o corpo se o vestisse. Tentei falar-lhe dizer-lhe a dor que sentia mas as palavras não saiam. Agarrou-me agressivamente no braço, e levantou-me de um puxão! Senti dor por todo o meu corpo e soltei um longo grito que gentilmente se dissipou por entre os milhares de gritos que ouvia por toda a escuridão.
- Mexe-te! Não tenho o dia todo! - Gritou-me. Reparava agora como era feio, magro como nunca antes vira alguem tão chupado até aos ossos. - Veste-te e vem!
Reparei então como estava nú e como estava cheio de frio, e como me sentia totalmente vazio. Um desespero enorme enchia-me a alma, queria chorar, queria gritar, queria enfurecer-me, mas nada conseguia...
"Get the fuck out of here
I just wanna get the fuck away from me
I rage, I glaze, I hurt, I hate
I hate it all, why why why me?
I cannot sleep with a head like this
I wanna cry, I wanna scream
I rage, I glaze, I hurt, I hate
I wanna hate it all away!"
A dor fisica era insuportável, mas eu não tinha nem um único golpe, nem um único osso partido, mas a dor estava lá. O careca gritava-me enfurecido, não o conseguia entender, ele apontava para o trapo. Acho que ele queria que eu me vestisse. Foi o que fiz, a custo, a dor era ainda insessante. Assim que vesti aquele tecido castanho de sujidade, ele pegou-me no braço e obrigou-me a andar. Os olhos dele vomitavam ódio, uma raiva alucinante que acabava sendo contagiante. Entrámos num corredor que vislumbrei na penumbra. Via os vultos de centenas de portas. Lá dentro ouvia os choros e gritos que aleatoriamente ecoavam, baixinho na escuridão.
Vislumbrei uma porta aberta e vi um careca, em tudo igual ao que me arrastava, de costas para a porta e a olhar em frente para uma parede, a gemer de dor, agrilhoado ao chão, balanceava a cabeça num harmonioso ritmo, imparável, para a frente e para trás como se uma mão gigante o embalasse.
- Quem deixou a porta aberta? - Gritou o careca que me arrastava. Rapidamente outro careca surgiu da escuridão e fechou a porta.
Vi uma imensidão de corredores com portas, de cada uma delas pareciam vir os sons de dor e sofrimento a que me começava a habituar. Eram grandes portas de ferro fechadas com um cadeado, as paredes pareciam ter sido brancas há muitos milhares de anos atrás e a maior parte delas estava já comida pelo tempo e as suas entranhas expostas.
- Chegámos!
E jogou-me através de umas das portas. Agrilho-ou-me ao chão, prendeu as minhas mãos e ali fiquei em pé, de frente para a parede, enquanto ouvia a porta a ser trancada atrás de mim. Na escuridão fiquei, sozinho.
Tentava entender o que se passava mas a minha memória era como uma folha branca á espera de ser escrita. Apenas sabia que estava agora preso numa espécie de cela, agrilhoado e no escuro. Ouvia-a ao longe os sons do sofrimento que me acompanhavam desde que aqui chegara. Era contagiante. Não sei quanto tempo passara, mas sentia-me cada vez mais sozinho, cada vez mais amedrontado, cada vez mais diminuto, mais, nada. A vontade de chorar crescia cada vez mais, a vontade de ceder á pressão da tristeza solitária continuava a crescer. Esta escuridão oprimia-me cada vez mais. Tentava lutar...
"I won't let this build up inside of me"
Lentamente tomou conta de mim como um veneno que se infiltrou na minha alma.
"Stapled shut, inside an outside world and I'm
Sealed in tight, bizarre but right at home
Claustrophobic, closing in and I'm
Catastrophic..."
Tentei partir as correntes que me prendiam, inutilmente. Tentei outra vez, não cediam... Não sabia quanto tempo passara, mas só queria sair dali. forcei a corrente vezes sem conta, e continuei a forçar, tinha que sair dali... Tinha que me libertar! A minha vontade de liberdade era mais forte que a dor que sentia. Senti um liquido a escorrer-me pelo corpo abaixo. Sangue. Mas de onde vinha ele?! Tinha os pulsos desfeitos.. os tendões, ligamentos, carne, veias até o osso estava exposto. Gritei de dor, de desespero...
"I have screamed until my veins collapsed
I've waited as my time's elapsed "
Cai de joelhos no chão, chorava, contorcia-me a minha alma de terror... Perdi os sentidos.
Acordei, não fazia ideia onde estava. Lentamente recordei as primeiras palavras escritas na folha branca que era a minha memória. Tentei mexer-me, a dor continuava lá no mesmo sitio de sempre...
"Where do I take this pain of mine?
I run but it stays right by my side"
Sentia-me fraco. A minha boca estava mergulhada num liquido que sabia a ferrugem, tinha frio. Estava encharcado, jazia numa poça do meu próprio sangue.
Gritei, não queria morrer:
-Ajudem-me! Estou a morrer! Alguem me ajude! - Uma portinhola abriu-se atrás de mim e dois olhos surgiram.
-Já? Mas ainda agora começou o nosso divertimento. Não te preocupes jovem inocente, não vais morrer.
- Não?! - Levantei-me instintivamente - Então que me vai acontecer?!
- Se estivesses ás portas da morte achas que te levantavas com tanta rapidez? A morte não é o teu destino. Pelo menos por enquanto.
- Então que me vai acontecer?! Diz-me!
- O teu destino é uma metamorfose, uma transformação...
- Transformação? Em quê? Explica-me...
- Diz-me, jovem, sentes-te só?
E fechou a portinhola, deixando-me com aquela pergunta no ar. E foi então que percebi o quão só me sentia. Uma solidão desesperante, consumidora, avassaladora. Sentia-a lá dentro. Bem dentro de mim. A pagina anterior da minha memória, rabiscada até á exaustão mostrou-se então de vislumbre e percebi que era essa a razão de estar naquele local. Comecei a balancear a minha cabeça, a minha visão estática na parede enqaunto lágrimas rolavam o meu rosto sem eu sequer fechar os olhos. No silêncio sussurravam um milhar de vozes...
"We to feel alone"
Dias? Meses? Anos? Não sei quanto tempo passou, mas a solidão desaparecera...
"Bones in the blood
and dust in my lungs
absorbing archaic
like a sponge
the ultimate way
is the way you control
but can you stay?
If you detach your soul?
Bury the present
and squeeze out the past
the ones you endear to never last
chemical burns and the animalistic
Im just another hardline
pseudo statistic...
Can you feel this?
I'm dying to feel this
Can you feel this?
Blood on the paper
and skin on my teeth
trying to commit
to what's beneath
to find the time
is to lose the momentum
you learn the lessons
and immediately forget them
automatic and out of my reach
consult all the waste to find the key
minimal life and the polysillabic
Im just another blank page
push the button, pull the rage"
A solidão transformara-se em raiva. Já não era um homem, mas sim uma criatura sedenta de ódio. Sedenta de sair daquela cela e explodir! Explodir de ódio! Jamais esqueceria as razões que me levaram áquele lugar.
"I am a world before I am a man
I was a creature before I could stand
I will remember before I forget"
Olhei as correntes. Coladas á minha carne, seca, do tempo ali imobilizado. EStavam enferrujadas, mas mantinham-se resistentes como se novas fossem. Destrui-as com a força do meu ódio.
"Fuck these chains
No god damn slave
I will be different"
Corri para a porta e obliterei-a com um punho fechado. Gritei de raiva a plenos pulmões! Esmurrei as paredes pelo tempo enojadas, destrui todas as portas que se me deparavam. Libertava os que como eu olhavam a parede. De todos os lados começaram a surgir carecas como aquele que primeiramente vira quando a este local cheguei. Agarravam-me, dezenas, centenas, talvez milharesem cima de mim a rir malévolamente enquanto me mordiam, comiam a minha carne e tentavam desmembrar. Banqueteavam-se com todo o ódio que sentia.
"My end
It justifies my means
All I ever do is delay
My every attempt to evade
The end of the road and my end
It justifies my means
All I ever do is delay
My every attempt to evade
THE END OF THE ROAD!
Fray the strings
Throw the shapes
Locked in clutch
Pushed in place
Hold your breath"
Explodi num turbilhão de raiva de que vagamente me recordo. Não sei quantos matei, quantos aniquilei, só me lembro do terror nas caras daqueles seres que como eu sentiam ódio. Quando novamente ganhei consciencia, jazia de joelhos num lago de sangue polvilhado de ilhas de carne desfeita irreconheciva. O ar estava escuro, coberto com uma enorme cortina de pó. Começaram a aproximar-se de mim mais daqueles seres. Mas no seu rosto não se lia o ódio, mas sim tristeza, dor, solidão. Alguns choravam. Sangravam das marcas das correntes que os agrilhoavam até há pouco tempo. As nossas celas jaziam agora transformadas em pó. Uma brisa tocou os nossos corpos mutilados, varreu toda aquela nuvem cinzenta onde estávamos mergulhados. Raios de sol começaram a espreitar e a banhar aquela imensidão de seres magros, carecas e ensaguentados...
"Hear me now
Bearing down upon a path we choose
Chosen from the start living different rules
Existence something to cherish true
Will not succumb to doubts that I hold onto
Release the fear of my pain
In so much pain
Give me the will to fight
Every obstacle that I have inside
Release MY fear and
Hear me now
Words I vow
No fucking regrets
Fuck these chains
No god damn slave
I will be different
I'll stand here defiantly
My middle finger raised
Fuck your prejudice
All my life
Always I've felt alone
Conditioned to believe that I'm always wrong
Only truth will help to set me free
My every weakness I must turn into strength
Every rage, every tear
Hate in so much hate
Never that pain will bind me
Ask of myself if I've the will to unwind
Every rage and tear
Hear me now
Words I vow
No fucking regrets
Fuck these chains
No god damn slave
I will be different
I'll stand here defiantly
My middle finger raised
Fuck your prejudice
Carved upon my stone
I will go on
Patience, belief
Love will ascend
Just listen to it
Voice so true inside calling
To stand you up and march you on
Keep from falling
Let go your sorrow
Sun will shine, this I promise
Rising tommorow
Rising
Hear me now
I'm taking back the control
Of my
Life from societies hold
I vow
No more will I be a slave
Rise to
Challenge the whole human race
My spirit you cannot break
And we wont lose"
Sem comentários:
Enviar um comentário