Mostrar mensagens com a etiqueta Esquecimento. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Esquecimento. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Sem inspiração...

... escrevo sem qualquer inspiração mas recordando esta imagem. Escrevo aconselhando, não esqueçam aqueles que não vos esquecem. Embora muito longe, a quilometros de distancia ou a oceanos de distancia, lembrem-se que há pessoas que vos têm no coração e que estão dispostas a dá-lo assim, oferecido, mesmo não esperando nada em troca. Não esqueçam os que não devem ser esquecidos.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Dezembro de 2003


Que dia é hoje? Não sei, não me interessa. Não penso no futuro, nem no presente, mas apenas no passado, em como queria voltar tudo para trás, poder reparar os erros cometidos. Não me interessa as guerras do mundo, a politica, o filme que deu ontem na televisão, o jogo que acabei há dez minutos. Nada mais me interessa, perdi a vontade de viver o presente, não tenho esperança num futuro melhor. Porque não existe um futuro melhor. São apenas pensamentos positivos de pessoas que vivem em mundos de ilusão. O futuro é o que se constrói no presente, o presente é uma construção do passado. Mas eu não construí, eu destruí, tento em vão reconstruir mas tudo se afunda num mar de desprezo, dor, até mesmo raiva. Tudo provocado por mim, tudo por mim. Um grande amigo disse-me “os problemas têm a importância que lhes damos”, é verdade, mas é impossível esquecer um problema que insiste em voltar em qualquer coisa que eu faço. Seria fácil esquecer como muitos dizem “Tens que esquecer”, mas como posso eu esquecer a mulher que eu amo? Poderia esquecer-te, fingir que morreste, que apenas existes na memória e que nunca mais voltarás. Mas então oiço o teu nome, oiço a tua voz ao passar perto de ti, vejo-te. E então passo a ver-te como um espírito da pessoa que eras comigo. Quando desço a rua da tua antiga casa, lembro-me de quando te acompanhava até ela. As vezes que conversávamos ali mesmo, foram poucas, três talvez, não sei ao certo, mas lembro-me do que falámos. Olho para as cartas que jogo todos os dias, está lá o teu rosto em cada uma delas, lembrando-me os nossos jogos. O caderno onde apontava os resultados, nas últimas paginas ainda está lá o teu nome, não me atrevo a abrir aquele caderno para continuar a anotar outros jogos. Olho para os manuais de AD&D e estás lá outra vez, Lidda, feiticeira. Oiço musicas que acabam lembrando-me de ti, porque sei que são musicas que se as ouvisses irias gostar delas. Locais, onde me encontrava contigo, parece que te vejo outra vez nesses locais comigo. Lembro-me das vezes que estava contigo na escola, do dia que te disse o que sentia por ti. De cada vez que passo naquela esquina, arrependo-me dessa noite. Arrependo-me de quase tudo que fiz depois desse dia. Nessa noite, mal dormi, não queria perder-te, mas acabou acontecendo. Acho que tivemos os dois culpa, eu desconfiava de ti, achava que já não eras verdadeira comigo, mas eras, apenas afastavas-te de mim porque não me querias dar esperanças. Eu refugiei-me em amigos e falsos amigos, o resultado foi o que tu já sabes. Deste ano, só o mês de Janeiro foi lindo para mim, quando falávamos na net, na escola, o torneio. Foi sem dúvida um dos melhores momentos da minha vida. Mas agora que olho para trás vejo que se calha já amava-te de mais atrás ainda, lembro-me de te ver nos braços de outro e de querer ser eu no lugar dele. Mas o que interessa isso agora? Não sei se vais ler isto ou não, mas sei que se leres provavelmente ainda vais gozar comigo depois, ou então amarrotar o papel e deitar fora. Como tu disseste, já não sou nada para ti. Lembras-te quando me disseste isso? Quando proferiste tais palavras, tive a sensação de que tudo em meu redor se auto destruía, tudo se acabava, era o fim apocalíptico de tudo aquilo em que acreditava. Talvez tivesse sido menos doloroso se me tivesses matado, apunhalado, disparado sobre mim. Senti-me como se tivessem agarrado em mim, e me torturassem eternamente, como se me tivessem achicotado durante um milhão de anos. O que é a dor do corpo em comparação com a dor da alma? Sabes responder a esta pergunta? Eu sei o que é, é quando não há sentido para a tua vida, é quando o mundo te diz “desaparece, não fazes falta neste lugar”. É quando chegas a casa, vês tudo o que tens e te perguntas “Vale a pena continuar?” Ainda não sei a resposta a esta pergunta. Ando perdido, nada para mim tem valor, não tenho nada. A única pessoa que me interessa, és tu, perdi-te, nada mais interessa. Bem pode haver guerras no mundo, terrorismo, extremismo, morte, aquecimento global, sismos, acidentes de viação. Deixou tudo de ter significado, não passam de imagens de um mundo em decadência, imagens que não me interessam. Posso culpar-te por estes sentimentos que desencadeaste em mim? Não, não posso, porque fui eu que cavei a minha cova e sou eu que devo subtilmente fechar o meu caixão e desaparecer da tua vida. Ás vezes penso que não te amo, mas te odeio irracionalmente, acabo sempre por chegar há conclusão que te quero odiar para ter uma desculpa para não te amar. Sempre que me tratas mal, não sinto ódio, sinto amor, e entristeço-me por ter provocado em ti sentimentos que te tenham incomodado. Mas o que são palavras? Reflexos da alma? Imagens daquilo que se sente e não se diz? Ou são simplesmente letras juntas que fazem sentido? Significarão estas palavras algo para além de mim? Para ti queria decerto que significasse, nem que fosse uma frase, uma palavra. Será que isso aconteceria se lesses isto? Tenho a certeza que não, pois conheço-te melhor a ti do que a mim. E é esse conhecimento que me mostra a verdade, essa terrível verdade que apenas há minha pessoa afecta. Sempre que te vejo o mundo detêm-se num momento singular de beleza, encanto, felicidade, amor…e dor e sofrimento e melancolia e fatalismo. Quando o meu olhar se cruza com o teu, destróis-me por dentro. Não consigo aguentar o teu olhar, altivo, acusador, belo, perfeito. Verei sempre no teu olhar aquilo que fiz e que me levou a perder a tua amizade. Nem que tivesse a certeza que me perdoaste, nunca me vou perdoar a mim mesmo o que te fiz. Gostava de poder esperar por uma absolvição, mas sei que essa absolvição nunca chegará. Talvez um dia entendas o que são estes sentimentos, se esse dia chegar, espero que lides com a dor, melhor do que eu. Pois espero que nunca sofras o que sofri e sofro por ti, um sofrimento que é tão ridículo como eterno. Ridículo porque hoje em dia, parece-me já não haver amor verdadeiro no mundo, apenas necessidades sexuais. Já não existe aquela forma de “sacrifício” pessoal para estar com quem supostamente se ama. Eu estou disposto a esses sacrifícios, bastava que mo pedisses, faria tudo o que mo pedisses. Tudo para ver-te sorrir uma vez mais, apenas para isso. Eterno porque a cada dia que passa, mais vejo o quanto te amo, Adoro observar-te, prender na memória todos aqueles pormenores que fazem de ti quem tu és, que me lembram todas as razões de eu te amar. Talvez um dia, eu tenha alguém, alguém que me ame. Mas essa pessoa nunca terá o meu amor, poderei quem sabe casar-me, e estarei a pensar que eras tu que gostava que estivesse ali comigo. E no fim talvez me pergunte, “valeu a pena?” Não sei responder a esta pergunta. Ainda estás a ler isto? Esta carta de um louco há mulher que ama, esta inútil agregação de palavras? Se leste até aqui a tua imagem de mim, não sei como ficou. Sei que o melhor sentimento que tens por mim é a indiferença, disso tenho a certeza. Depois só tenho a certeza de outra coisa na minha vida. Tenho a certeza que és a Mulher que amo.

P.S. – Se há algo que te possa pedir depois de tudo o que se passou, peço-te apenas que não respondas a esta carta com palavras ásperas e amargas. O silêncio por vezes vale mais que mil palavras.

Na noite que o sol brilhar
No mar fogo arderá
E então eternamente amar-me-ás

Comentário: Deambulava pelos meus textos quando encontrei esta carta que escrevi a alguem de quem gostei muito. Esta carta acaba sendo uma autêntica caixa de recordações, pois relembra-me esse ano de 2003 que na altura que escrevi esta carta o vi-a como um ano horrível. Um ano cheio de dor e maus sentimentos. Agora, cinco anos depois, vejo que foi um dos melhores anos da minha vida. Foi o ano em que conheci grandes amigos, o ano em que ia á pesca com o Ilho, que iamos quase 20 pessoas para a minha casa no Farol, o ano em que comecei a ir jantar ao Dragão Dourado com os melhores amigos que alguma vez tive, o ano em que provei a mim mesmo que com força de vontade o ser humano é capaz de muita coisa. Foi um ano de Magic the Gathering, de Dungeons & Dragons, do meu computador ultra-potente, foi o verão de jogar GTA: Vice City. Foi sem dúvida um grande ano...
A única má recordação que poderia ter é mesmo a pessoa a quem esta carta é dirigida. Agora que olho para trás, não há nada nesta rapariga que tenha que ver comigo, nada que nos pudesse unir. Somos pessoas completamente diferentes, ela é uma pessoa muito fria, o que é exactamente o oposto de mim. Não me arrependo do que escrevi nesta carta, não me arrependo de uma única palavra, pois sei que são o fruto de como então interpretava a realidade. Mas certamente, se fosse hoje, não lhe diria que a amava eternamente, pois felizmente, conheci nestes cinco anos muitas raparigas que me mostraram como essa rapariga nada tinha que haver comigo. Tambem se fosse hoje não me rebaixava tanto, porque agora entendo que não é nenhum pecado capital amar alguem, e amá-la, há luz do que hoje sou, foi certamente o único erro que cometi.

domingo, 13 de abril de 2008

Alone in the Dark

Sentia-me a cair. Descontroladamente. Rebolava ao sabor da gravidade através do ar. Tentei perceber para onde caia, apenas escuridão. Não sei porque caia, a única coisa que sabia do sitio de onde vinha, era que era iluminado por uma luz branca que me servia agora como único ponto de referência, apenas sabia que não vinha dali porque essa luz estava cada vez mais longe. E a escuridão cada vez mais próxima. Sentia-me cada vez mais rápido cada vez mais errático nos meus movimentos através do ar. Caía infinitamente, cada vez mais nas trevas.

Senti o impacto. Bruto e impiedoso, enquanto sentia a dor de todos os meus ossos a partirem-se. Fiquei ali extendido naquela superficie fria, que lentamente aquecia com o calor do meu corpo. Tinha a noção de que não me podia mexer, a dor era insuportável, pensei que deveria estar a sangrar de um milhar de feridas. Mas nada sentia, para alem da dor tremenda que me precorria todo o corpo. A minha mão estava de fronte do meu rosto, e instintivamente pressionei os dedos doridos contra o meu rosto...

"I push my fingers into my eyes
It's the only thing that slowly stops the ache
But it's made of all the things I have to take
Jesus, it never ends, it works it's way inside
If the pain goes on, I'm not gonna make it!"

Ouvi-a algo nas trevas, pareciam gritos distantes, gritos de dor, gritos horríveis de desespero misturados com choro. Não era uma pessoa nem duas mas pareciam dezenas e dezenas de pessoas desesperadas, na escuridão. Percebi que estava debaixo de um leve halo de luz que me iluminava na escuridão. Senti um cheiro nauseabundo, tentei mexer-me, vi uns pés brancos, sujos, nojentos com unhas amareladas e compridas. Olhei na minha dor para cima e vi um pálido homem, sem um único pelo no corpo, não tinha sexo. No seu olhar notei raiva, no seu sorriso arrogancia, nas suas palavras, prazer:

- Bem-vindo. Já te esperávamos há muito. - Disse sorrindo - Veste isto.

Atirou-me um trapo com desprezo para cima de mim, que me cobriria o corpo se o vestisse. Tentei falar-lhe dizer-lhe a dor que sentia mas as palavras não saiam. Agarrou-me agressivamente no braço, e levantou-me de um puxão! Senti dor por todo o meu corpo e soltei um longo grito que gentilmente se dissipou por entre os milhares de gritos que ouvia por toda a escuridão.

- Mexe-te! Não tenho o dia todo! - Gritou-me. Reparava agora como era feio, magro como nunca antes vira alguem tão chupado até aos ossos. - Veste-te e vem!

Reparei então como estava nú e como estava cheio de frio, e como me sentia totalmente vazio. Um desespero enorme enchia-me a alma, queria chorar, queria gritar, queria enfurecer-me, mas nada conseguia...

"Get the fuck out of here
I just wanna get the fuck away from me
I rage, I glaze, I hurt, I hate
I hate it all, why why why me?
I cannot sleep with a head like this
I wanna cry, I wanna scream
I rage, I glaze, I hurt, I hate
I wanna hate it all away!"

A dor fisica era insuportável, mas eu não tinha nem um único golpe, nem um único osso partido, mas a dor estava lá. O careca gritava-me enfurecido, não o conseguia entender, ele apontava para o trapo. Acho que ele queria que eu me vestisse. Foi o que fiz, a custo, a dor era ainda insessante. Assim que vesti aquele tecido castanho de sujidade, ele pegou-me no braço e obrigou-me a andar. Os olhos dele vomitavam ódio, uma raiva alucinante que acabava sendo contagiante. Entrámos num corredor que vislumbrei na penumbra. Via os vultos de centenas de portas. Lá dentro ouvia os choros e gritos que aleatoriamente ecoavam, baixinho na escuridão.

Vislumbrei uma porta aberta e vi um careca, em tudo igual ao que me arrastava, de costas para a porta e a olhar em frente para uma parede, a gemer de dor, agrilhoado ao chão, balanceava a cabeça num harmonioso ritmo, imparável, para a frente e para trás como se uma mão gigante o embalasse.

- Quem deixou a porta aberta? - Gritou o careca que me arrastava. Rapidamente outro careca surgiu da escuridão e fechou a porta.

Vi uma imensidão de corredores com portas, de cada uma delas pareciam vir os sons de dor e sofrimento a que me começava a habituar. Eram grandes portas de ferro fechadas com um cadeado, as paredes pareciam ter sido brancas há muitos milhares de anos atrás e a maior parte delas estava já comida pelo tempo e as suas entranhas expostas.

- Chegámos!

E jogou-me através de umas das portas. Agrilho-ou-me ao chão, prendeu as minhas mãos e ali fiquei em pé, de frente para a parede, enquanto ouvia a porta a ser trancada atrás de mim. Na escuridão fiquei, sozinho.

Tentava entender o que se passava mas a minha memória era como uma folha branca á espera de ser escrita. Apenas sabia que estava agora preso numa espécie de cela, agrilhoado e no escuro. Ouvia-a ao longe os sons do sofrimento que me acompanhavam desde que aqui chegara. Era contagiante. Não sei quanto tempo passara, mas sentia-me cada vez mais sozinho, cada vez mais amedrontado, cada vez mais diminuto, mais, nada. A vontade de chorar crescia cada vez mais, a vontade de ceder á pressão da tristeza solitária continuava a crescer. Esta escuridão oprimia-me cada vez mais. Tentava lutar...

"I won't let this build up inside of me"

Lentamente tomou conta de mim como um veneno que se infiltrou na minha alma.

"Stapled shut, inside an outside world and I'm
Sealed in tight, bizarre but right at home
Claustrophobic, closing in and I'm
Catastrophic..."

Tentei partir as correntes que me prendiam, inutilmente. Tentei outra vez, não cediam... Não sabia quanto tempo passara, mas só queria sair dali. forcei a corrente vezes sem conta, e continuei a forçar, tinha que sair dali... Tinha que me libertar! A minha vontade de liberdade era mais forte que a dor que sentia. Senti um liquido a escorrer-me pelo corpo abaixo. Sangue. Mas de onde vinha ele?! Tinha os pulsos desfeitos.. os tendões, ligamentos, carne, veias até o osso estava exposto. Gritei de dor, de desespero...

"I have screamed until my veins collapsed
I've waited as my time's elapsed "

Cai de joelhos no chão, chorava, contorcia-me a minha alma de terror... Perdi os sentidos.

Acordei, não fazia ideia onde estava. Lentamente recordei as primeiras palavras escritas na folha branca que era a minha memória. Tentei mexer-me, a dor continuava lá no mesmo sitio de sempre...

"Where do I take this pain of mine?
I run but it stays right by my side"

Sentia-me fraco. A minha boca estava mergulhada num liquido que sabia a ferrugem, tinha frio. Estava encharcado, jazia numa poça do meu próprio sangue.
Gritei, não queria morrer:

-Ajudem-me! Estou a morrer! Alguem me ajude! - Uma portinhola abriu-se atrás de mim e dois olhos surgiram.
-Já? Mas ainda agora começou o nosso divertimento. Não te preocupes jovem inocente, não vais morrer.
- Não?! - Levantei-me instintivamente - Então que me vai acontecer?!
- Se estivesses ás portas da morte achas que te levantavas com tanta rapidez? A morte não é o teu destino. Pelo menos por enquanto.
- Então que me vai acontecer?! Diz-me!
- O teu destino é uma metamorfose, uma transformação...
- Transformação? Em quê? Explica-me...
- Diz-me, jovem, sentes-te só?

E fechou a portinhola, deixando-me com aquela pergunta no ar. E foi então que percebi o quão só me sentia. Uma solidão desesperante, consumidora, avassaladora. Sentia-a lá dentro. Bem dentro de mim. A pagina anterior da minha memória, rabiscada até á exaustão mostrou-se então de vislumbre e percebi que era essa a razão de estar naquele local. Comecei a balancear a minha cabeça, a minha visão estática na parede enqaunto lágrimas rolavam o meu rosto sem eu sequer fechar os olhos. No silêncio sussurravam um milhar de vozes...

"We to feel alone"

Dias? Meses? Anos? Não sei quanto tempo passou, mas a solidão desaparecera...

"Bones in the blood
and dust in my lungs
absorbing archaic
like a sponge
the ultimate way
is the way you control
but can you stay?
If you detach your soul?
Bury the present
and squeeze out the past
the ones you endear to never last
chemical burns and the animalistic
Im just another hardline
pseudo statistic...

Can you feel this?
I'm dying to feel this
Can you feel this?

Blood on the paper
and skin on my teeth
trying to commit
to what's beneath
to find the time
is to lose the momentum
you learn the lessons
and immediately forget them
automatic and out of my reach
consult all the waste to find the key
minimal life and the polysillabic
Im just another blank page
push the button, pull the rage"

A solidão transformara-se em raiva. Já não era um homem, mas sim uma criatura sedenta de ódio. Sedenta de sair daquela cela e explodir! Explodir de ódio! Jamais esqueceria as razões que me levaram áquele lugar.

"I am a world before I am a man
I was a creature before I could stand
I will remember before I forget"

Olhei as correntes. Coladas á minha carne, seca, do tempo ali imobilizado. EStavam enferrujadas, mas mantinham-se resistentes como se novas fossem. Destrui-as com a força do meu ódio.

"Fuck these chains
No god damn slave
I will be different"

Corri para a porta e obliterei-a com um punho fechado. Gritei de raiva a plenos pulmões! Esmurrei as paredes pelo tempo enojadas, destrui todas as portas que se me deparavam. Libertava os que como eu olhavam a parede. De todos os lados começaram a surgir carecas como aquele que primeiramente vira quando a este local cheguei. Agarravam-me, dezenas, centenas, talvez milharesem cima de mim a rir malévolamente enquanto me mordiam, comiam a minha carne e tentavam desmembrar. Banqueteavam-se com todo o ódio que sentia.

"My end
It justifies my means
All I ever do is delay
My every attempt to evade
The end of the road and my end
It justifies my means
All I ever do is delay
My every attempt to evade
THE END OF THE ROAD!

Fray the strings
Throw the shapes

Locked in clutch
Pushed in place

Hold your breath"

Explodi num turbilhão de raiva de que vagamente me recordo. Não sei quantos matei, quantos aniquilei, só me lembro do terror nas caras daqueles seres que como eu sentiam ódio. Quando novamente ganhei consciencia, jazia de joelhos num lago de sangue polvilhado de ilhas de carne desfeita irreconheciva. O ar estava escuro, coberto com uma enorme cortina de pó. Começaram a aproximar-se de mim mais daqueles seres. Mas no seu rosto não se lia o ódio, mas sim tristeza, dor, solidão. Alguns choravam. Sangravam das marcas das correntes que os agrilhoavam até há pouco tempo. As nossas celas jaziam agora transformadas em pó. Uma brisa tocou os nossos corpos mutilados, varreu toda aquela nuvem cinzenta onde estávamos mergulhados. Raios de sol começaram a espreitar e a banhar aquela imensidão de seres magros, carecas e ensaguentados...

"Hear me now
Bearing down upon a path we choose
Chosen from the start living different rules
Existence something to cherish true
Will not succumb to doubts that I hold onto
Release the fear of my pain
In so much pain
Give me the will to fight
Every obstacle that I have inside
Release MY fear and

Hear me now
Words I vow
No fucking regrets

Fuck these chains
No god damn slave
I will be different

I'll stand here defiantly
My middle finger raised
Fuck your prejudice

All my life
Always I've felt alone
Conditioned to believe that I'm always wrong
Only truth will help to set me free
My every weakness I must turn into strength
Every rage, every tear
Hate in so much hate
Never that pain will bind me
Ask of myself if I've the will to unwind
Every rage and tear

Hear me now
Words I vow
No fucking regrets

Fuck these chains
No god damn slave
I will be different

I'll stand here defiantly
My middle finger raised
Fuck your prejudice

Carved upon my stone
I will go on
Patience, belief
Love will ascend

Just listen to it
Voice so true inside calling
To stand you up and march you on
Keep from falling
Let go your sorrow
Sun will shine, this I promise
Rising tommorow
Rising

Hear me now
I'm taking back the control
Of my
Life from societies hold
I vow
No more will I be a slave
Rise to
Challenge the whole human race

My spirit you cannot break

And we wont lose"