Sente-se o cheiro da primavera nas ruas. O cheiro das flores, a aragem morna tipicamemte primaveril. O mundo parece renascer de um longo inverno sombrio e escuro. O cheiro a flores infiltra-se nas minhas narinas, electrocutando a minha alma. Despertando memórias há muito esquecidas, recordações felizes de outras primaveras perdidas num mar de ódio, dor e sofrimento que inundam esta alma moribunda. Recordações de felicidade que libertam a raiva contida ao longo dos milénios que separam o presente das memórias passadas. A besta irracional sedenta de sangue foge da sua cela milenar.
Horas passam-se, pessoas desaparecem. Dias passam-se cidades ficam sem vida. Anos passam-se. A besta volta para a cela. Atrás das grades ela contempla a sua destruição, apocaliptica, regojiza-se. Os rios outrora limpidos correm vermelhos. Nas ruas outrora coloridas amontoam-se corpos podres, as paredes tingidas de vermelho. Canibais sobreviventes devoram selvaticamente os mortos, saciando-se com a carne putrefacta. O céu azul enegrece-se. Trovões ecoam pelas ruas vazias iluminadas ocasionalmente pelos raios tempestuosos. A besta sorri, o seu trabalho acabou, lentamente ela adormece uma vez mais.
A Primavera chegou. O mundo parece renascer de um longo Inverno sombrio e escuro. Eu ainda vivo no Inverno. O mais sombrio de todos eles.
Horas passam-se, pessoas desaparecem. Dias passam-se cidades ficam sem vida. Anos passam-se. A besta volta para a cela. Atrás das grades ela contempla a sua destruição, apocaliptica, regojiza-se. Os rios outrora limpidos correm vermelhos. Nas ruas outrora coloridas amontoam-se corpos podres, as paredes tingidas de vermelho. Canibais sobreviventes devoram selvaticamente os mortos, saciando-se com a carne putrefacta. O céu azul enegrece-se. Trovões ecoam pelas ruas vazias iluminadas ocasionalmente pelos raios tempestuosos. A besta sorri, o seu trabalho acabou, lentamente ela adormece uma vez mais.
A Primavera chegou. O mundo parece renascer de um longo Inverno sombrio e escuro. Eu ainda vivo no Inverno. O mais sombrio de todos eles.
1 comentário:
É na escuridão e na sombra que me encontro e me perco e me reencontro comigo...tenho sede de primaveras passadas mas como para ti a memória que delas pervalece é de sangue e agonia, e por isso agradeço à escurdão por me deixar aqui ficar...e a primavera...ser só lá fora
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