O vento começara a assobiar mais agrestemente, a chuva começara a cair na terra seca e carbonizada. Mas o dragão não tinha consciência desta mudança do tempo. Sentia todo o seu interior ser destruído, ser massacrado, cada golpe de espada. O dragão sabia que o seu fim chegara, que um mísero humano ia destrui-lo. Sentia-se totalmente inútil perante tal destino. Em cada golpe contorcia-se, mais e mais. A dor era imensa, atirava-se contra as rochas, contra o chão, guinchava, saltava. Quem o observa-se á distancia, parecia que o dragão estava embriagado, envolto numa qualquer dança ancestral. A chuva cai agora a potes, o chão era agora lama, os relâmpagos e trovões explodiam em volta do dragão que dançava agonizantemente. Soltou um estridente rugido. E cai por terra. No meio da lama. No meio dos trovões. No meio da chuva.
Durante horas, continuou a rugir e a guinchar com a dor. Os seus sons ecoavam pelas montanhas e planaltos circundantes. Pelas aldeias que haviam chamado o caçador de dragões. O cavalo entrou na aldeia. Os seus cascos ressoavam no chão empedrado, misturados com o som da chuva, dos trovões e acima de tudo os sons do dragão moribundo. Os aldeões acordaram, como que por uma força magica, como se o peso de anos de opressão pelo lagarto cuspidor de fogo tivessem desaparecido. O cavalo relinchava, tentando chamar a atenção dos aldeões, para que o seguisse. Para ajudar o seu dono. Juntaram-se aqueles homens e mulheres e crianças junto do cavalo. Sentiam que o tinham que seguir, pois sentiam que algo de grandiosamente divino iria acontecer.
O dragão gemia agora com a dor. A luz da aurora reflectia-se nas suas escamas. Vislumbrava em todo o seu campo de visão vultos de humanos, centenas deles. A chuva parara. Os aldeões olhavam em silêncio a besta, ouviam o lento bater do seu coração por entre os baixos gemidos. A sua respiração pesada, cada vez mais e mais distante o tempo entre a inspiração e expiração. Era visível a tremenda dor por que passava. Inspirou, mas não a plenos pulmões, soltou um ultimo longo gemido agonizante. O coração já não batia. O dia clareava cada vez mais. Os aldeões permaneciam ali imóveis como que esperando um sinal divino. Um pardal piou, e logo a seguir uma pancada oca nas escamas do dorso do dragão. Olharam todos para onde vinha o som. Outra pancada, e outra, e ainda outra. As escamas partiram-se e um rio de sangue escorreu de dentro do animal morto. Por entre o sangue, um vulto vermelho. O sol despontou no horizonte, tocando apenas o dragão, apenas o vulto. Este gritou a chorar. Ensaguentado, Jorge arrastou-se para fora das entranhas da besta. Deixou cair a espada. As pernas estavam carbonizadas do joelho para baixo. Sentia dor, estava cansado, completamente ensopado em sangue. Deixou-se cair na terra enlameada, ensaguentada iluminada pelo sol da manhã. Gritou:
- Senhor! Dai-me força!
E desfaleceu.
Os aldeões prostaram-se de joelhos e rezaram pela alma do bravo cavaleiro que os salvara da besta. Não tinham qualquer duvida sobre o que acontecera. Tinha assistido ao nascimento de um santo.
Durante horas, continuou a rugir e a guinchar com a dor. Os seus sons ecoavam pelas montanhas e planaltos circundantes. Pelas aldeias que haviam chamado o caçador de dragões. O cavalo entrou na aldeia. Os seus cascos ressoavam no chão empedrado, misturados com o som da chuva, dos trovões e acima de tudo os sons do dragão moribundo. Os aldeões acordaram, como que por uma força magica, como se o peso de anos de opressão pelo lagarto cuspidor de fogo tivessem desaparecido. O cavalo relinchava, tentando chamar a atenção dos aldeões, para que o seguisse. Para ajudar o seu dono. Juntaram-se aqueles homens e mulheres e crianças junto do cavalo. Sentiam que o tinham que seguir, pois sentiam que algo de grandiosamente divino iria acontecer.
O dragão gemia agora com a dor. A luz da aurora reflectia-se nas suas escamas. Vislumbrava em todo o seu campo de visão vultos de humanos, centenas deles. A chuva parara. Os aldeões olhavam em silêncio a besta, ouviam o lento bater do seu coração por entre os baixos gemidos. A sua respiração pesada, cada vez mais e mais distante o tempo entre a inspiração e expiração. Era visível a tremenda dor por que passava. Inspirou, mas não a plenos pulmões, soltou um ultimo longo gemido agonizante. O coração já não batia. O dia clareava cada vez mais. Os aldeões permaneciam ali imóveis como que esperando um sinal divino. Um pardal piou, e logo a seguir uma pancada oca nas escamas do dorso do dragão. Olharam todos para onde vinha o som. Outra pancada, e outra, e ainda outra. As escamas partiram-se e um rio de sangue escorreu de dentro do animal morto. Por entre o sangue, um vulto vermelho. O sol despontou no horizonte, tocando apenas o dragão, apenas o vulto. Este gritou a chorar. Ensaguentado, Jorge arrastou-se para fora das entranhas da besta. Deixou cair a espada. As pernas estavam carbonizadas do joelho para baixo. Sentia dor, estava cansado, completamente ensopado em sangue. Deixou-se cair na terra enlameada, ensaguentada iluminada pelo sol da manhã. Gritou:
- Senhor! Dai-me força!
E desfaleceu.
Os aldeões prostaram-se de joelhos e rezaram pela alma do bravo cavaleiro que os salvara da besta. Não tinham qualquer duvida sobre o que acontecera. Tinha assistido ao nascimento de um santo.
Sem comentários:
Enviar um comentário