segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

2008

Construimos um caminho e esperamos precorrê-lo.

Parei desde que acabei o curso. Salto de trabalho em trabalho, pautado por periodos sem emprego...

Sem dinheiro não se faz nada. E isso levou a que me detivesse.

Lembro-me perfeitamente: Entre Janeiro de 2008 e Dezembro desse mesmo ano. Não parei um mês no mesmo lugar.

Primeiro vinha cá ao Algarve, quase todos os meses, depois viajava pelo Alentejo e pelo Algarve a mostrar o que conhecia. Depois houve o trabalho de fim de curso com o Vince e o André. Que culminou numa volta á ilha a pé!

E o Rock in Rio. Machine Head muito bom! E os jantares na residencia? E as festas na residencia? E as saidas á noite? E ir aqui e ali? E as noites com o Mauri a beber no Chapito? Noites em que pediamos tudo o que havia na lista!!!!

E a noite de Santos? E o ultimo jantar? E aquela semana infernal cheia de trabalhos e exames finais para fazer que culminavam em ter que atravessar metade da cidade até Belem para um dos trabalhos?! E tudo isto.... antes de um modesto jantar de despedida... um termino desse ano...


E no dia seguinte?! Lagos! Três semanas em Lagos a escavar. Depois duas semanas em Lisboa, ultimo exame, ultima pesquisa bibliográfica. E regressar ao sul...

Um mês no Farol... A desenhar, 65 peças arqueológicas para o trabalho de fim de curso. O André veio visitar-me e subi ao Farol. O Vince veio visitar-me e subi ao Farol outra vez! E... houve mais alguem que veio e também subi ao Farol outra vez (não me lembro é quem).

Chega Setembro regresso a Lisboa, acabar o trabalho de fim de curso. Dias em que só tomava o pequeno almoço e ficava até ás 2, 3 da manhã completamente obcecado pelo trabalho.

As festas... mais uma vez...

A entrega do trabalho.

A liberdade.

Sentir o fim e a felicidade de voltar para algo idilico.

Mas nem ai fui feliz. Foi só por os pés nesta terra e essa felicidade se foi dissipando.

Mas não interessava...

Dai a dias tinha a minha grande viagem de finalistas.

Um mês em Itália! Rever os amigos que ficaram para sempre e ver os seus mundos!!! Desde os amigos obcecados pelo Lost e Poker do Mauri até aos jogadores fieis de Fantacalcio no sul!!!

Desde o Norte com cheiro a Europa até ao sul tradicional...

Foi o meu apogeo.

Regressei para a dura realidade de dedos apontados, de juizos de valor, de opinadores compulsivos.

Mas a minha mente estava decidida. Eu era um tipo mudado, muito diferente do que chegara a Lisboa. E impunha-se acima de tudo, o mais importante, a familia.

Ida e volta, ida e volta entre Algarve e Lisboa trazer e levar tudo aquilo que era Lisboa, e que agora não se encaixava no Algarve... Um ultimo e caótico jantar no Fogo de Chão com toda a gente da residencia e...

Despedi-me com uma carta numa manhã de Dezembro, enquanto todos dormiam.

Uma semana depois voltava para cima para o natal, e antes do ano novo aqui estava eu no sul mais uma vez...

E foi nesse ano novo que tudo começou realmente a mudar... Não houve a festa que esperava. E limitou-se a uma garrafa de champanhe compartilhada... Nem 00:30 e já estavamos a ir para casa...

Triste fim para um ano tão bruto. Tão cheio de emoções, de sorrisos, de gargalhadas, de discussões, de trabalho de convivio de humanidade no seu estado mais puro!

Esse fim de ano foi um prognóstico do que seriam os próximos anos.

Quase dois anos passados desse dia... e tudo só tem lentamente piorado...

Talvez devesse ter ficado em Lisboa, junto dos amigos. Talvez. Mas se tivesse lá ficado e não aceite este desafio. Muita coisa estaria pior concerteza...

Não me arrependo, mas também, dois anos depois de ter parado percebo apenas que...

Irei caminhar novamente com os meus próprios pés!

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