Estamos presos um ao outro.
Queremos ambos seguir as nossas vidas. Mas estamos presos, condicionados pelo passado. Eu quero a minha vida, o meu canto, a minha casa. Um lugar a que possa chamar só meu. Onde possa estar á vontade. Mas não sou independente. Trabalho. Mas é incerto. Tudo apalavrado, um patrão que não é de confiança. Sem contar com a carga fiscal brutal que o meu salário sofre todos os meses. É o que dá o mundo empresarial abusar de um sistema que se deveria restringir a um nicho especifico. Vou trabalhando e ganhando do meu. Tentando poupar...
Gosto muito de ti. Mas estou preso a ti. Não quero estar. Não quero continuar a estar. Quero ser eu no meu espaço. E não o posso ser enquanto estiver assim, invariávelmente preso a ti.
Sei que também te sentes presa a mim. Sei que sou uma preocupação constante para ti. Mas acredita que já não o quero ser há muito tempo. Sei que queres o teu espaço, a tua vida e paz para o resto da tua vida. Faço parte dessa falta de paz, enquanto estivermos preso um ao outro. Pouco ou nada haverá a fazer.
Fecharam-nos as portas todas, a indiferença é amiga dos que se dizem libertos de preocupações. Dos que se julgam livres. Mas mais tarde ou mais cedo irão ver os erros que cometeram. Pela minha parte já é muito tarde, pela tua não sei...
Espero que não te permitas cair outra vez e magoar-te. Mas vejo-te bem mais forte. Apenas presa a mim, e sofrendo por me veres sofrer.
Não te culpes... Poderia culpar o mundo como está por este caminhar aos tropeções, mas isso não seria coerente. A culpa é mais minha por ainda não conseguir caminhar sozinho. Mas lá chegarei...
Espero que ainda me vejas a caminhar sozinho... mãe.
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